ISSN 3086-5182 (Online)
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Athena Latino-Americana

Vol.1, No.4 (Julho 2026)
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Título

A CONSPIRAÇÃO DOS SUASSUNAS (1801): O Despertar Libertário de Pernambuco

 

A CONSPIRAÇÃO DOS SUASSUNAS (1801): O Despertar Libertário de Pernambuco

DOI: 10.69720/3086-5182.2026.000016 País: Brasil Submissão: 2026-06-08 Publicação: 2026-06-23 Palavras-chave: Capitania de Pernambuco, Engenho Suassuna, Sufocamento fiscal e Conspiração.

Autores

GENIVALDO BEZERRA CAVALCANTI*
Autor correspondente
É historiador, sociólogo e educador. Possui doutorado pela Venni Creator Christian University, com tese reconhecida e aprovada pela Universidade FUMEC, e mestrado em Educação pela Universidade Gama Filho (UGF). É graduado em Licenciatura e Bacharelado em História pela Universidade de Pernambuco (UPE) e pela Universidade Estácio de Sá, respectivamente, além de licenciado em Sociologia pela Uninter. No âmbito da pós-graduação lato sensu, é especialista em História do Nordeste pela UPE e em Antropologia pela Faculdade Serra Geral.

Resumo

No início do século XIX, a Capitania de Pernambuco vivia uma profunda contradição: sua opulenta produção de açúcar e algodão sustentava a metrópole, mas o sufocamento fiscal imposto por Lisboa gerava revolta. Esse descontentamento econômico transformou-se em um projeto político republicano e emancipatório, alimentado pela circulação das ideias iluministas. Esse ambiente propiciou o surgimento de uma rede de sociabilidade intelectual e secreta sem precedentes na colônia, que uniu a elite agrária (representada pelos irmãos Cavalcanti de Albuquerque e o Engenho Suassuna), o clero reformista do Seminário de Olinda e a intelectualidade maçônica do Areópago de Itambé, este último fundado pelo cientista Manuel Arruda da Câmara. Embora o projeto fosse politicamente disruptivo e inspirado nos modelos francês e norte-americano, ele carregava a limitação social de manter o sistema escravocrata intacto, reflexo do profundo medo da elite em relação ao “haitianismo” (a revolta de escravizados que tomou o poder no Haiti). Em 1801, a conspiração foi delatada antes de pegar em armas, mas a resposta da Coroa Portuguesa foi estrategicamente branda. Devido ao imenso poder econômico e aos laços de parentesco dos envolvidos, o governador conduziu o processo com cautela, resultando na absolvição dos líderes por falta de provas materiais e evitando o derramamento de sangue visto em outras revoltas coloniais. Como os bens não foram confiscados e as lideranças não foram executadas, a infraestrutura humana e política do movimento permaneceu intacta, migrando para a clandestinidade de novas lojas maçônicas e para a privacidade dos engenhos após o fechamento do Areópago. Nos anos seguintes, a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro em 1808 e a violenta seca de 1816 agravaram a exploração econômica sobre o Nordeste, inflamando os ânimos locais. Assim, a Conspiração dos Suassunas consolidou-se como o grande ensaio geral estrutural que permitiu, dezesseis anos mais tarde, a eclosão coordenada e o triunfo temporário da Revolução Pernambucana de 1817.

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Atualizado em 03/07/2026 05:14
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